Foram 470 anos de domínio colonial
(de 1905 a 1975), e muita luta: guerra civil, guerra fria, resistência.
Muita miséria e um comércio liderado por árabes. Tornou-se
independente em 25 de junho de 1975 e desde essa a data a luta tem sido virada
para a reconstrução e o desenvolvimento das 10 províncias
que constituem o país: Niassa, Maputo (capital), Cabo Delgado, Tete,
Zambézia, Nampula, Beira, Manica, Inhambane e Gaza – este é
Moçambique, que além do português, língua oficial,
conta com mais de 15 idiomas nacionais. O país que fica na costa oriental
da África foi homenageado neste sábado (24) no projeto Conheça
um país africano.
A bibliotecária
Daniela Baudouin apresenta a biblioteca especializada da Casa das Africas
O projeto, que está na sua terceira edição,
é idealizado pela ONG Fórum África. De acordo com Vanderly Salatiel, diretora financeira e administrativa
do Fórum, Conheça um país africano visa principalmente
que africanos e afro-descendentes e a população em geral conheçam
um pouco de cada um dos países africanos, mostrando a grande diversidade
do continente e divulgar seus aspectos sócio-culturais, históricos,
econômicos e políticos.
Isso acontece através da realização
de atividades culturais, recreativas e de reflexão, envolvendo projeção
de filmes, exposições de artes, tecidos, vestimentas, fotos,
degustação de comidas típicas, mesas redondas sobre
tema da atualidade dos países. Nas edições anteriores,
Conheça um país africano apresentou a África
do Sul e Gana.
Nesta terceira edição do
projeto na sala foram expostas várias capulanas (panos coloridos que
as mulheres usam para amarrar em volta da cintura), que são carregadas
de muito simbolismo e passavam muitas mensagens sobre o país através
da própria textura do material e também de desenhos. As capulanas
também também podem passar uma mensagem de mulher “livre” para
ser conquistada dependendo da maneira que ela for amarrada. Também
cada região tem uma maneira específica de amarrar o acessório.
Elas servem também para amarrar o bebé ao corpo da mulher –
nas costas – para facilitar seu “transporte”. Também foram apresentadas
algumas estatuetas, livros, bolsas, vestuários (das várias
províncias).
Carlos
explica a divisão da sociedade moçambicana
Segundo o moçambicano Carlos Subuhana, doutor pela
USP em antropologia, a região norte de Moçambique é
matrilinear, ou seja a última palavra sempre tem sido da mulher. Conforme
Carlos conta a mãe dele tem seis filhos (homens): “assim como diz
a tradição a minha mãe não produziu nada”, brinca. Porém
Carlos esclarece que atualmente isso é notado apenas em algumas áreas
rurais do norte do país. Já, o sul do país é
uma região patrilinear e somente na região central “as coisas
misturam”, diz Subuhana.
Tendo em vista que Mia Couto é
o escritor moçambicano mais conhecido no mundo, o palestrante Ilídio Nhamana, mestrando em literatura comparada na USP, apresentou um pouco de
outros escritores daquele pais como João Paulo Borges Coelho, Ruy
de Noronha, Augusto Conrado, João Bazini entre outros. Entretanto,
fez questão de deixar claro que o país é fortemente
marcado por uma tradição oral.

Ilídio
fala da pintura moçambicana
Ilídio apresentou também um pouco da pintura
do país representado pelas obras do artista Malangatana, que
tenta fazer um cruzamento entre o imaginário do ocidente e o local.
Já o artista Chichorro apresenta o lado mais social do país
através de muita estética e o apelo ao bonito. Também
foi apresentado um cheirinho da música moçambicana que vem
recebendo influências do ocidente, com os ritmos jazz, regaee, rock.
Conforme diz a lenda...
Quando os portugueses chegaram
em Moçambique, no século XV, o primeiro contato que tiveram
foi com uma ilha do país - e conforme conta uma lenda, a ilha
era uma área de uma forte influência árabe e um dos sultãos
mais conhecidos da região era Muça Alebique. Assim quando os
portugueses perguntaram qual era o nome da região e que a resposta
foi Muça Alebique, os portugueses entenderam Moçambique. Num
primeiro momento a ilha Muhititi, nome como era conhecido o local pelos nativos,
passou a se chamar de Moçambique e depois o nome foi dado ao país
todo.
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