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Projeto aproveita a data da independência de Moçambique e homenageia o país

 

Cultura - 26/06/2006 19:00

 

Verónica Oliveira / USP Online

vramos@usp.br

Foram 470 anos de domínio colonial (de 1905 a 1975), e muita luta: guerra civil, guerra fria, resistência. Muita miséria e um comércio liderado por árabes. Tornou-se independente em 25 de junho de 1975 e desde essa a data a luta tem sido virada para a reconstrução e o desenvolvimento das 10 províncias que constituem o país: Niassa, Maputo (capital), Cabo Delgado, Tete, Zambézia, Nampula, Beira, Manica, Inhambane e Gaza – este é Moçambique, que além do português, língua oficial, conta com mais de 15 idiomas nacionais. O país que fica na costa oriental da África foi homenageado neste sábado (24) no projeto Conheça um país africano.

 

A bibliotecária Daniela Baudouin apresenta a biblioteca especializada da Casa das Africas

O projeto, que está na sua terceira edição, é idealizado pela ONG Fórum África. De acordo com Vanderly Salatiel, diretora financeira e administrativa do Fórum, Conheça um país africano visa principalmente que africanos e afro-descendentes e a população em geral conheçam um pouco de cada um dos países africanos, mostrando a grande diversidade do continente e divulgar seus aspectos sócio-culturais, históricos,  econômicos e políticos.

 

Isso acontece através da realização de atividades culturais, recreativas e de reflexão, envolvendo projeção de filmes, exposições de artes, tecidos, vestimentas, fotos, degustação de comidas típicas, mesas redondas sobre tema da atualidade dos países. Nas edições anteriores, Conheça um país africano apresentou a África do Sul e Gana.

Nesta terceira edição do projeto na sala foram expostas várias capulanas (panos coloridos que as mulheres usam para amarrar em volta da cintura), que são carregadas de muito simbolismo e passavam muitas mensagens sobre o país através da própria textura do material e também de desenhos. As capulanas também também podem passar uma mensagem de mulher “livre” para ser conquistada dependendo da maneira que ela for amarrada. Também cada região tem uma maneira específica de amarrar o acessório. Elas servem também para amarrar o bebé ao corpo da mulher – nas costas – para facilitar seu “transporte”. Também foram apresentadas algumas estatuetas, livros, bolsas, vestuários (das várias províncias).

Carlos explica a divisão da sociedade moçambicana

Segundo o moçambicano Carlos Subuhana, doutor pela USP em antropologia, a região norte de Moçambique é matrilinear, ou seja a última palavra sempre tem sido da mulher. Conforme Carlos conta a mãe dele tem seis filhos (homens): “assim como diz a tradição a minha mãe não produziu nada”, brinca. Porém Carlos esclarece que atualmente isso é notado apenas em algumas áreas rurais do norte do país. Já, o sul do país é uma região patrilinear e somente na região central “as coisas misturam”, diz Subuhana.

 

Tendo em vista que Mia Couto é o escritor moçambicano mais conhecido no mundo, o palestrante Ilídio Nhamana, mestrando em literatura comparada na USP, apresentou um pouco de outros escritores daquele pais como João Paulo Borges Coelho, Ruy de Noronha, Augusto Conrado, João Bazini entre outros. Entretanto, fez questão de deixar claro que o país é fortemente marcado por uma tradição oral.

 

Ilídio fala da pintura moçambicana

Ilídio apresentou também um pouco da pintura do país representado pelas obras do artista Malangatana, que tenta fazer um cruzamento entre o imaginário do ocidente e o local. Já o artista Chichorro apresenta o lado mais social do país através de muita estética e o apelo ao bonito. Também foi apresentado um cheirinho da música moçambicana que vem recebendo influências do ocidente, com os ritmos jazz, regaee, rock.

 

Conforme diz a lenda...

Quando os portugueses chegaram em Moçambique, no século XV, o primeiro contato que tiveram foi com uma ilha do país - e conforme conta uma lenda, a ilha era uma área de uma forte influência árabe e um dos sultãos mais conhecidos da região era Muça Alebique. Assim quando os portugueses perguntaram qual era o nome da região e que a resposta foi Muça Alebique, os portugueses entenderam Moçambique. Num primeiro momento a ilha Muhititi, nome como era conhecido o local pelos nativos, passou a se chamar de Moçambique e depois o nome foi dado ao país todo.

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