Personalidades
Política
Quem é?
O líder negro sul-africano Nelson Mandela nasceu em Umata, no Transkei, em 1918, sob o nome de Rolihlahla Madiba. Filho de um chefe tribal, teve uma formação tradicional na casa real dos Tembo, um subgrupo da etnia xhosa, a segunda maior do país depois dos zulus. Mandela frequentou a Universidade Negra de Fort Hale, mas terminou seus estudos na Universidade Witwaters Rand. Concluído o curso, abriu um escritório de advocacia com seu grande amigo e conselheiro Olivier Tambo, em Johanesburgo. Foi pelas mãos de Tambo que,em 1944, ele entrou para o Congresso Nacional Africano (CNA ou ANC, da sigla em inglês), organização negra fundada em 1912.
Um ano antes, a minoria branca composta de africânderes e descendentes de britânicos havia promulgado leis consolidando seu poder sobre a população negra. A política de segregação racial,contudo, só viria a ser oficializada em 1948, com a chegada do Partido Nacional ao poder. Seis anos depois de aderir ao CNA, Mandela assumiu a chefia da Liga para a Juventude e, em 1952, tornou-se vice-presidente da organização. O CNA havia lançado, a partir de 1950, uma campanha de desobediêndia civil contra o apartheid, que impedia o acesso dos negros à propriedade da terra e à participação política e os confinava em zonas residenciais segregadas.
Com uma participação atuante no CNA, Mandela é nomeado, em 1961, comandante-em-chefe da Umkhonto we Sizwe (Lança de Ferro da Nação), o braço militar do ANC Em 1960, a polícia branca sul-africana mata 67 negros que participavam de uma manifestação em Sharpeville, uma favela próxima a Johanesburgo. O massacre (que ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville), provoca protestos indignados não só na África do Sul, mas em todo o mundo e o CNA lança uma campanha de sabotagem contra o governo e contra as instalações industriais e militares. O propósito era causar sérios prejuízos à economia do governo branco, mas sem a morte de inocentes. Como consequência, o CNA é colocado na ilegalidade.
Mandela deixa o país clandestinamente, numa viagem pela África que incluiu um treinamento militar instensivo na Argélia. De volta à África do Sul, mantém-se na clandestinidade, levando uma vida de constantes fugas da polícia. É preso em agosto de 1962 e condenado a cinco anos de prisão, mas posteriormente a pena é transformada em prisão perpétua quando o governo o acusa de comandar as ações de sabotagem contra a infra-estrutura econômica do país.
Seu julgamento, em abril de 64, teve repercussão mundial. Sua auto-defesa o transforma em líder, mobilizando o povo negro sul-africano. Na prisão, Mandela assume o compromisso de nunca negar seus princípios políticos. Seu gesto inspira outros prisioneiros e desperta nos liberais brancos o respeito por sua pessoa. O governo segregacionista tenta dobrá-lo nos anos 70, mas ele rejeita a revisão de pena que lhe é oferecida. No país, as revoltas dos negros intensificam-se, levando o governo a decretar a lei marcial. A comunidade internacional reage a a Organização das Nações Unidas (ONU) impõe sanções econômicas ao país. Acuado, nos anos 80 o governo volta a fazer uma oferta a Mandela, desta vez, de liberdade. Em troca, ele deveria recomendar ao braço armado do CNA que suspendesse a luta. Mandela recusou a proposta.
Nélson Mandela só viria a ser libertado em 1990, no governo do presidente Frederik de Klerk, autor de várias reformas políticas que incluíam a revogação do regime de segregação. O CNA recupera a legalidade e Mandela e o braço armado da organização concordam em suspender a luta. Num plebiscito em que só os brancos tiveram direito a voto, o apartheid foi rejeitado por 69% dos votantes. A extrema direita reage e ameça criar um país independente no Transvaal.
Entre os negros também não há unidade. O Partido da Liberdade Inkhata, organização zulu, disputa com o CNA o direito de representar politicamente os negros. A rivalidade entre as duas facções degeneram em pesados e violentos conflitos. Mandela e o líder adversário, Mangosuthu Butelezi, encontram-se tentando buscar uma solução para a crise. Um acordo entre governos e líderes negros possibilita a criação do Conselho Executivo Transitório, que elabora as regras para uma primeira eleição multirracial no país. Esta, viria a acontecer em 1994 e dela Nélson Mandela emergeria como primeiro presidente negro da África do Sul e o CNA como maioria na Assembléia Nacional, depois de 350 anos de opressão branca.
As ações de Mandela e de Frederick de Klerk levaram a organização do Nobel a a conceder-lhes o Nobel da Paz, em 1993 , na concessão do Prêmio Nobel da Paz. O governo multirracial de Mandela restitui a propriedade de terra a famílias negras, mas logo os brancos deixam o governo por discordar de pontos da nova Constituição. Em 1997 Mandela renuncia à presidência do CNA e indica para seu sucessor Thabo Mbeki, que viria a vencer, em 1999, a segunda eleição multirracial do país, com o desafio de reduzir o grande fosso que ainda separa negros e brancos, tanto nos índices econômicos quanto sociais.

