Personalidades
Literatura
A sua atividade
criadora inclui não só o teatro, como o romance, a novela, a poesia, o ensaio, a
direção teatral e uma atuação muito destacada entre o grande público como um
engajado comentarista político. Suas obras oferecem um retrato lúcido e amargo
da Nigéria contemporânea.
Para ele, “o
compromisso social é próprio de todo o cidadão, seja ele um operário, um
fazendeiro ou um banqueiro (...). Antes de tudo eu me comprometo com os valores
da liberdade, da verdade e da justiça”. Em mais de 40 anos de carreira, a defesa
desses valores custou a Soyinka a prisão durante a guerra civil de Biafra, que
dividiu o seu país entre 1967 e 1970, e o exílio, durante seis anos, em Gana e
na Europa, durante os recentes anos mais duros do regime militar nigeriano.
Wole Soyinka nasceu
a 13 de julho de 1934, em Abeokuta, tradicional cidade ioruba no oeste da
Nigéria. Os haussas, ao norte, os ibos no sudeste e os iorubas formam as três
maiores etnias da Nigéria. Embora seus pais tenham se convertido ao cristianismo,
Wole manteve-se fiel à visão de mundo ioruba e à sua religião, “onde se sente
mais em casa”. É filho de Ogum, orixá muito proeminente em seus escritos.
No entanto,
completou o ensino fundamental e médio em instituições coloniais. A sua vida
universitária começou em 1954, na Universidade de Ibadan, e continuou na
Inglaterra, na Universidade de Leeds, onde se licenciou em Literatura, em 1957.
Passou os três anos seguintes lecionando no Royal Court Theatre de Londres,
regressando à Nigéria em 1960, ano da independência do país, com uma bolsa da
Fundação Rockefeller para pesquisar a cultura e a literatura oral e escrita
nigerianas.
Grande parte das
suas obras reflete essa vivência das tradições e o entrelaçamento delas com a
árdua luta pela sobrevivência na vida “moderna” das classes pobres dos subúrbios
de Lagos, ex-capital do país (a atual é Abuja), cuja área metropolitana abriga
mais de dez milhões de habitantes. Esta realidade está muito viva na sua peça de
1996, The Bestification of Area Boy.
Numa peça de 1975,
Death and the King’s Horses, Soyinka advertia os intelectuais e dirigentes do
continente que não deviam mitificar o passado ao forjar o destino do seu país.
Já nos anos 60, Soyinka criticava o conceito de negritude, defendido por Senghor
e os intelectuais francófonos. Ele preferia a expressão african personality
(personalidade africana), não tão presa a uma marca racial e a uma África
idealizada. Nessa querela, Soyinka criou a expressão irônica de tigritude,
alegando que o tigre não proclama sua tigritude, ele ataca. Senghor conciliou:
“... mas o tigre não fala”.
A opção de Wole
Soyinka pela língua inglesa nas suas obras literária não se reduz à procura pelo
acesso de um público internacional. É que só através do inglês, língua oficial
do seu país, ele pode ser lido pelos nigerianos como um todo, já que são várias
as línguas faladas e escritas regionalmente.
Três das suas recentes peças, contêm críticas duras
aos presidentes nigerianos: The Man Died, ao general Gowon; Priority Projects,
ao corrupto civil Shagary e The Open Sore of Continent, ao ditador-general
Abacha. É o exercício constante da cidadania, concomitante com o ofício do
escritor Wole Soyinka, prêmio Nobel de Literatura.

