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Verónica Oliveira / USP Online
vramos@usp.br
Com o lema O mundo entre amigos,
a Copa do Mundo esta na sua reta final sem registrar
nenhum caso grave de racismo, o que era o maior medo do comitê organizador
da competição e da FIFA. Neste sentido, foi estipulado que
a partir das quartas-de-final do campeonato os capitães das seleções
tiveram que ler mensagens contra o racismo antes de cantarem seus hinos.
Além disso, pôde-se deparar também com faixas com os
seguintes dizeres: Say no to Racism ("Diga não ao
racismo", em inglês).
De acordo com o presidente
de honra do Fórum África (ONG que visa congregar os africanos,
afro-descendentes e brasileiros em geral interessados em promover o continente
negro), Saddo Ag Almouloud, natural do Mali, engajado com questões
do negro na sociedade, “o negro é hoje incontestábveno esporte
em geral, mais especificamente no Futebol. Os jogadores que estão
na copa fazem partes dos melhores do mundo. Raros são os times que
não têm, pelo menos, um jogador negro”.

Faixa foi exibida
em quase todos os jogos
Só
o fato de a seleção brasileira de futebol ser majoritariamente
composta de negros, para Saddo já é uma grande vitória.
Pois, para ele isso demonstra que o talento não depende da cor, mas
sobretudo “das condições proporcionadas ao individuo para desenvolver
certas competências, seja no esporte ou qualquer outra área”,
afirma.
O talento é certamente um ponto
importante para amenizar certos comportamentos xenofóbicos e/ou preconceituosos.
Mas, para Saddo, não é o suficiente para quebrar as barreiras
do racismo. E para que essas barreiras sejam quebradas de uma vez por todas
ele acredita que “é necessária uma mudança de mentalidades
que depende da educação (na família e na escola) do
indivíduo (negro e branco) para esperar mudanças no quadro
atual daqui algumas décadas”.
Saddo
acredita que a Copa do Mundo deve ser um momento de alegria e de comunhão
de diferentes povos e de diferentes raças. E lamenta: “infelizmente,
alguns atos na Alemanha mostram que temos pessoas mais preocupadas em veicular
o ódio em relação a certos povos, mais especificamente
em relação aos negros”, diz, fazendo menção a
um partido de extrema direita alemão, o NPA (Partido Nacional Democrata)
que atacou o jogador negro Asamoah, da seleção da Alemanha.
Asamoah foi criticado
por racistas alemães
Uma das medidas que do
governo alemão tomou contra a xenofobia durante a Copa foi comunicar
que torcedores negros não deveriam se preocupar com certas regiões
do país onde ataques racistas estão crescendo, e que as autoridades
locais estavam preparadas para evitar qualquer problema do tipo. Mas mesmo
assim a Confederação Africana de Futebol, tal como o Ministério
das Relações Exteriores do Brasil, estipulou um manual que
restringia os locais onde os torcedores negros não deveriam ir. Pois
de acordo com Saddo, a declaração do governo da Alemanha foi
muito irônica: “o racismo é um fenômeno velho como o mundo,
conseqüentemente não se pode erradicá-lo em pouco tempo
com medidas exóticas. Precisa-se fazer um trabalho de educação
de médio e longo prazo e adoção de leis rigorosas para
punir os responsáveis de atos de racistas”.
Para Saddo, o futebol é o esporte que tem maior
oportunidade na luta contra o racismo por envolver o maior número
de pessoas (dirigentes de futebol, jogador, torcedores, políticos).
A FIFA dá grande importância ao respeito às origens étnicas
devido aos atos de racismo e xenofobia práticos regularmente no futebol.
O órgão já tomou algumas medidas para erradicar tendências
perniciosas na sociedade e no futebol. Precisa agora que estas medidas sejam
aplicadas e aprimoradas para alcançar os objetivos desejados.
Deste modo, Saddo acredita que ainda a FIFA deveria
“ter pulso mais forte ao: tomar medidas concretas que garantam a integridade
moral e física de qualquer jogador/a de futebol, vítima de
atos racistas; assegurar que, em todos os jogos em qualquer país em
que se verifiquem atos de natureza racista, sejam observadas todas as restrições
recomendadas pelo Congresso Extraordinário da FIFA, realizado em 7
de julho de 2001 em Buenos Aires (Argentina), que elencou várias ações
e políticas para evitar e punir ações racistas; Punição
para os grupos organizados de torcedores que se articulam com grupos racistas
para agredir os jogadores negros de futebol".
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