NA TRILHA DOS ORIXÁS, A CAMINHO DA ÁFRICA
A CULTURA AFRICANA NA EDUCAÇÃO INFANTIL DE ESCOLAS PRIVADAS
Colégio Nossa Senhora de Sion
Moraes, L.D.
INTRODUÇÃO
Esse trabalho se propõe a incentivar práticas pedagógicas
em que os alunos de Educação Infantil, de escolas privadas,
conheçam e interajam com a cultura africana. Essa idéia surgiu
em dois momentos distintos: durante o curso de Licenciatura, entre as leituras
e discussões em sala de aula sobre a implantação de
políticas afirmativas nas universidades públicas e durante
o meu dia-a-dia como professora auxiliar do colégio Nossa Senhora
de Sion, onde há um número insignificante de alunos negros.
OBJETIVOS
O que se pretende é motivar práticas pedagógicas que
levem o aluno de colégio particular, desde o início de sua
formação, a ter uma postura positiva sobre a diversidade étnico-racial
da sociedade em que vive, principalmente no que se refere à população
negra e afrodescendente. Em síntese, levá-lo a conhecer a cultura
desse povo que foi fundamental na construção de nossa identidade
sociocultural, embora, ainda hoje, não é assim considerado.
MATERIAL e MÉTODO
Público alvo: Alunos de 5 a 6 anos da Educação Infantil,
do Colégio Nossa Senhora de Sion.
Estratégias: Em comemoração aos 450 anos de São
Paulo, a Educação Infantil, do Colégio Nossa Senhora
de Sion, apresentará, na semana da cultura popular, atividades artísticas,
representando os povos que colaboraram na formação sociocultural
da cidade. O que se propõe é incluir, nesta ocasião,
um espaço para que seja também apresentada a cultura africana
que foi igualmente responsável na formação histórica
e social de São Paulo, através da mitologia, da dança
e da música afro.
Atividade artística: Narrar e interpretar, por meio da dança
afro um mito baseado na mitologia africana, ao som do jambe.
CONCLUSÃO
A dança afro foi apresentada na festa da cultua popular, no
dia 28 de agosto de 2004. Durante os ensaios, que durou um mês, o tema
África, provocou reações diferentes nos alunos e no
corpo docente da Educação Infantil. Os primeiros mostraram-se
interessados nas expressões culturais africanas, interagindo com a
música e os mitos sem reações pejorativas. Os professores
mostraram-se despreparados para responder as indagações dos
alunos sobre o continente africano. Em certas situações, deixaram
transparecer preconceitos sobre a cultura africana. Embora, de uma maneira
geral, apresentavam-se receptivos ao tema, e, por necessidade de responder
as perguntas de seus alunos buscaram conhecer melhor sobre os costumes e
tradições da África, em especial, a mitologia dos orixás.
Creio que a essa proposta de intervenção educativa foi importante
para os alunos, pois, por pertencerem a uma classe social que costuma mostrasse
preconceituosa às manifestações religiosas e culturais
do povo negro, ficou uma experiência de que as expressões artísticas
africanas são tão belas e interessantes como as dos povos europeus.
E talvez essa visão venha lhes motivar uma postura diferente da que
observamos atualmente nas classes dominante de nosso país.
PALAVRAS CHAVES : mitologia africana, dança afro, jambe, alunos
de educação infantil, escola privada e elitizada, valorização
da cultura africana.